Meses com Messias: um(a) tormento(a).

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Saúdo V.M. ao tempo em que conclamo perdão pela demora do envio de notícias desta Terra de Santa Cruz. A contingência, termo de curial uso nos dias atuais em solo brasiliano, foi causada pelo acúmulo de serviços nas serventias judiciais onde eu laborava, até meados do mês próximo passado quando, de inopino, pedi desligamento. Não se tratou que qualquer entrevero ou desarmonia profissional. Mesmo porque minha chefia imediata do Tribunal de Desembargo era um lorde inglês, sendo impossível uma missão de tal natureza. A causa deu-se por incompatibilidade funcional, uma vez que minha senhoura, como V.M. a de se lembrar, ingressou no serviço público e a situação de fato redundou em impedimento por nepotismo. Encontro-me resoluto e sem trevas no coração, ao que espero dias melhores para que luzes não faltem em nossa dispensa.

Assim expostas as devidas justificativas, as quais espero aceitas, refiro-me agora ao cenário da colônia, que aspira ser grande como Portugal, mas somente o supera em território. O fato é que nas últimas semanas o atual governo do Messias, homem de pouco trato com as palavras e com as pessoas, mais se assemelha a uma nau a deriva: não atola por sorte de não atingir um barranco oculto, não afunda porque firmada em boa madeira, mas cujo Capitão atira no chão da proa para matar baratas, causando furos aos montes por onde a água do Atlântico não finda minar. Desde sua alçada à Chefia Executiva, com a condescendência de V.A. sobre a irregularidade do pleito eletivo, o que somente digo de passagem pois confio no profícuo cuidado que tens com vossos súditos de além-mar, os concidadãos vêm sofrendo penúrias pelos agentes públicos indicados à tutela ministerial. Primeiramente com a indicação de espanhol em função educacional, o que se mostrou tão absurdo quanto a indicação de Pilatos à beatificação. Depois surgiu um lenhador na pasta da Defesa Florestal, igualmente como se cogitar um piromaníaco no paiol. E formando a Tríade Maledicente, uma matrona com fixação erótica, que brada diariamente suas fantasias e alucinações sexuais junto a pasta das Humanidades. Imaginar tamanha desgraça na capitania de um Poder de Estado somente se mostra possível a um enfermo mental, questão aparentemente aplicável ao governante Messias.

Aparentemente o exame psicotécnico em solo brasiliano não é suficientemente criterioso, que o diga os eleitores derrocados.

Ainda no campo da psiquiatria, convém salientar que o pretenso sicário do então candidato e hoje governante foi diagnosticado com disfunção mental, embora tenha feito estudo de mira e tiro em conceituado campo de treinamento em companhia do seu primogênito (do Messias!). Este último, também, com prognóstico não favorável sobre sua sanidade mental, e que vive se utilizando de comunicadores instantâneos para propagar mensagens muitas das vezes indecifráveis. Aparentemente o exame psicotécnico em solo brasiliano não é suficientemente criterioso, que o diga os eleitores derrocados.

Embora necessária a concisão para manter V.A. informado sem prejuízo de seus afazeres palacianos, não poderia encerrar essa missiva sem relatar-lhe que a imprensa isenta no País, embora de diminuta quantidade, mas de indiscutível sagacidade, reportou nos diários nacionais que o Ministro da Justiça e Segurança, conhecido por seus apaniguados como Russo, mas que em verdade possui descendência moura, ao tempo em que exercia a relevante função de magistrado da União, coordenou e cooptou a acusação contra o ex-governante, o Dedeta, agindo de forma parcial, deliberada e conscientemente. Conversas cifradas vieram a público e revelam que o Julgador era também acusador, lenda urbana por todos conhecidos em solo brasiliano e que agora possui corpo e cara. Estamos todos escarnecidos com a informação, no que aguardamos pronta e imediata repercussão no seio do Judiciário local, mormente em resgate do que outrora era conhecido como a última trincheira do cidadão. A conferir a magnitude de V.M. sobre estes pobres filhos da pátria brasiliana, que ardem a desilusão do entreguismo de suas riquezas por quem deveria protege-las.

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